Grupo de Pesquisa "Identidade e diferença na educação (CNPq)"
- Observatório de Educação e Biopolítica
- Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, Brazil
- O Observatório de Educação e Biopolítica (OEBIO) é uma iniciativa integrada ao Grupo de Pesquisa Identidade e Diferença na Educação e à Linha de Pesquisa Educação, Cultura e Produção de Sujeitos, no âmbito do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Santa Cruz do Sul – RS. O OEBIO reúne pesquisadores(as) interessados nos estudos pós-estruturalistas, especialmente nos estudos foucaultianos, e suas interseções com a Educação. O objetivo do blog é divulgar as pesquisas (dissertações e teses), publicações e ações do grupo, além de criar espaços para trocas, parcerias e diálogos com pesquisadores(as) de outras instituições.
Postagem em destaque
sábado, 5 de julho de 2025
terça-feira, 18 de março de 2025
Um texto memorável
Nas ditaduras, a vida não tem paredes e nem mesmo os sonhos estão a salvo
Alguém dizia que o verdadeiro problema de estar preso é não poder trancar a porta por dentro.
Nunca estive preso. Mas imagino que esse seja o maior dos terrores: a porta se abre a qualquer momento para que o Estado exerça a sua violência sobre nós.
Em ditadura, deve ser a mesma coisa. Aliás, o que é uma ditadura senão uma prisão coletiva?
O filme "Ainda Estou Aqui" ilustra essa dinâmica na perfeição. Verdade: os jagunços batem à porta dos Paiva. Mas é apenas uma cortesia ilusória.
A invasão do espaço íntimo, com seu cortejo de abusos e boçalidades, é o prelúdio de um crime maior: o assalto a uma família e a destruição física de um dos seus membros.
Para o poder ditatorial, a vida não tem paredes, eis o ponto. Só os sonhos estão a salvo, embora haja quem discorde: a escritora alemã Charlotte Beradt (1907–1986) dedicou-se a registrar os sonhos que os alemães tiveram entre 1933 e 1939 para mostrar os tentáculos invisíveis do totalitarismo.
O resultado é uma obra-prima intitulada "O Terceiro Reich do Sonho", traduzida para o português por Mário Gomes e publicada pela editora lusa VS. É um dos meus grandes livros do ano.
Não há violência física nesses sonhos, porque Beradt optou por não publicar esses relatos. Curiosamente, Walter Salles também ocultou essa dimensão mais primitiva e bárbara. Entendo. Não devemos dar aos algozes a alegria de contemplarem suas próprias atrocidades.
A violência assume outra forma: a transformação do cotidiano em um "estado de exceção", onde não há lugar para segurança e previsibilidade e onde até os objetos mais banais se tornam provas incriminatórias.
Ou então, em vozes inquisitoriais, repetindo mecanicamente a propaganda do regime ou acusando os indivíduos de suas falhas e misérias, como em "1984", de George Orwell.
Os alemães sob Hitler sonhavam que as palavras mais inocentes —"eu", "Deus", "infelicidade"– os condenavam de imediato. Sonhavam que os próprios pensamentos estavam sob escuta. Sonhavam em língua estrangeira (e estranha) para que nem eles pudessem decifrar o que diziam ou pensavam.
Entre 1933 e 1939, sonhou-se muito com narizes grandes e peles morenas, mesmo entre os "arianos", como se as dimensões do corpo ou a pigmentação da pele fossem marcas de infâmia.
Documentos ou passaportes eram constantes nesses filmes oníricos. Como se o papel certo, ou errado, fosse a diferença fundamental entre a vida e a morte. Ver os documentos destruídos, perdidos, esquecidos –o maior dos pesadelos, no sentido literal e metafórico.
E que dizer da professora de matemática que sonhava recorrentemente com uma Alemanha onde até a matemática tinha sido proibida?
Ela, apesar de tudo, conseguia ainda escrever algumas equações em segredo, como se os números a mantivessem ligada a uma vida que perdera.
No livro de Beradt, dois sonhos em especial possuem qualidades literárias que os elevam acima de um simples documento histórico. Poderiam ter sido escritos por Kafka, não fosse ele já o autor de todos os pesadelos possíveis.
O primeiro, recorrente, pertence a um industrial alemão, social-democrata, que recebe a visita de Goebbels na sua fábrica. Em frente aos trabalhadores, o homem demora 30 longos minutos a levantar o braço para fazer a saudação nazi.
Numa das versões, o esforço é tanto que o industrial quebra a coluna, como se fosse um boneco enferrujado.
No segundo sonho, um médico antinazista é chamado de urgência para tratar Hitler. O homem vai, cura o ditador, é elogiado por ele – e sente orgulho pelo seu feito ao mesmo tempo em que chora de vergonha por sentir orgulho.
Nos dois casos, a violência não vem apenas do regime, mas também dos próprios indivíduos contra si mesmos. Essa é uma das conclusões de Charlotte Beradt sobre o totalitarismo: o medo e o terror são tão interiorizados que os indivíduos acabam se tornando "cúmplices" involuntários da própria submissão.
Aliás, se dúvidas houvesse, a autora apenas cartografou um único sonho em que Hitler era assassinado. Matar o tirano era não só indizível como inimaginável.
Nessa galeria de sonhos, Beradt dedica um capítulo aos sonhos dos judeus, que, estranhamente, tragicamente, oscilam entre a tentativa de cortejar as boas graças de Hitler e a imperiosa necessidade de fugir dele.
Num desses sonhos, um judeu viaja ao Único País que não Odeia Judeus (assim referido), atravessando as terras geladas da Lapônia. Mas, ao chegar à fronteira da salvação, até essa última porta se fecha na sua cara.
Entre as portas que não conseguimos trancar e aquelas que não conseguimos abrir, que venha o diabo e escolha.
João Pereira Coutinho
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2025/03/nas-ditaduras-a-vida-nao-tem-paredes-e-nem-mesmo-os-sonhos-estao-a-salvo.shtml
terça-feira, 23 de março de 2021
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
Dossiê
Dossiê será publicado em agosto de 2021. Serão aceitos textos originais em português, espanhol e inglês.
Resumo:
A deflagração da pandemia do Covid-19 casou uma intensa circulação de tabelas, gráficos, estatísticas e rankings que buscam narrar o ‘comportamento’ das infecções e mortes pelo novo vírus. Tais ‘dados’ se tornaram o cerne de disputas e negociações, evidenciando a centralidade e efeitos políticos das narrativas numéricas. Há muito as Ciências Sociais têm abordado processos de mensuração de populações e fenômenos sociais como instrumentos de poder e, mais recentemente, pesquisas têm avançado a discussão sobre a maneira como processos sociais complexos são transformados e reduzidos a números. Neste dossiê, convidamos pesquisadoras e pesquisadores a se debruçarem sobre a vida social dos números e indicadores que fazem parte das práticas e tecnologias de governo contemporâneos. Buscamos reunir artigos que investiguem de forma empírica a produção, uso e efeitos de dados quantitativos a partir de diferentes produções numéricas do campo da saúde, governança, justiça, ativismos, políticas globais, e etc.
Abstract:
The Covid-19 pandemic has brought to our attention the intense circulation of tables, graphics, statistics, and ranks used to narrate the new virus’ infections and deaths “behavior”. These data became the center object of disputes and negotiations that explicit the political effects of numerical narratives. For a long time now, Social Sciences has analyzed the mensuration process of populations and social phenomena as power relations and, more recently, it has advanced the discussion on how complex social processes are transformed and reduced to numbers. In this special number, we invite researchers to embrace the social life of numbers and rankings that take part in contemporary practices and technologies of government. We look forward to gathering papers that draw from empirical research on the productions, uses and effects of quantitative data from different numerical productions from health policy and practice, scientific practices, governance, justice, activism, and global policy.
As contribuições devem ser submetidas através do sistema online da revista:
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/index
Para uma visão mais detalhada da proposta e dos objetivos deste dossiê, acesse:
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/announcement/view/302
Organizadores: Glaucia Maricato (FUB) Vitor Simonis Richter (UFRGS)
terça-feira, 19 de janeiro de 2021
Edital Fluxo Contínuo Mestrado em Educação UNISC.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
Artigo
Acesso em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2175-62362020000400203&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
RESUMO:
quarta-feira, 6 de janeiro de 2021
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
XII Jornada Acadêmica “Educação em mudanças: rastros e caminhos em tempos pandêmicos
Quando: 12, 13 e 14 de novembro de 2020 – via Google Meet*
Carga Horária: 30 horas
Inscrições: Pela internet, Apresentador(a) de Trabalho** até o dia 28/10/2020 e Ouvintes até o dia 09/11/2020;
Investimento: Para a condição de Ouvinte: R$ 20, 00; para a condição de Apresentador(a) de Trabalho: R$ 40,00
*Os links para as salas virtuais serão disponibilizados próximo a data do evento. Os(as) inscritos(as) receberão as devidas informações.
**Poderão ser submetidos trabalhos no formato de resumos expandidos. Confiram as normas e template.
Programação – Via Google Meet
- 12/11 (quinta-feira)
Manhã:
9h às 12h: Minicurso: “A escrita e a pesquisa em tempos de pandemia”, Diego Dal Bosco Almeida
Tarde:
13h30m às 17h: Apresentação de Trabalhos
Noite:
18h30m: Momento cultural
19h: Abertura Coordenação
19h15m às 20h15m: “Tecnologias, pandemia e educação”, Vitor Alexandre Pordeus da Silva
20h30m às 22h: “Tecnologias, pandemia e educação”, Roberto Rafael F. da Silva
- 13/11 (sexta-feira)
Manhã:
9h às 12h: Minicurso: “Estudos subalternos, pós- -colonialismo e a decolonialidade nas pesquisas em Educação”, Cheron Moretti
Tarde:
13h30m às 17h: Apresentação de Trabalhos
Noite:
18h 30m: Momento cultural
19h às 22h: “População em vulnerabilidade, educação e tempos pandêmicos”, Dóris Soares, Bruno Ferreira e Fernando Seffner
14/11 (sábado)
Manhã:
9h às 10h30m: “O lugar da ciência na pós-verdade”, Betina Hillesheim e Mozart Linhares da Silva
10h45m às 12h: “Educação Básica em mudanças”, Sandra Richter e Éder da Silva Silveira
Tarde:
13h30m às 17h: Apresentação de Trabalhos
terça-feira, 13 de outubro de 2020
LIVROS À VENDA!
terça-feira, 29 de setembro de 2020
Divulgação
INSCRIÇÕES ABERTAS PARA ALUNO ESPECIAL - MESTRADO E DOUTORADO EM EDUCAÇÃO
COMO REALIZAR A INSCRIÇÃO?
Para realizar a inscrição é necessário preenchimento do Requerimento de Matrícula – Aluno Especial, acompanhado das cópias dos seguintes documentos: Mestrado: cópia do RG, CPF, histórico escolar e diploma da graduação, além do curriculum vitae. Doutorado: cópia do RG, CPF, histórico escolar e diploma da graduação e do Mestrado, curriculum vitae, além do resumo da dissertação.
No quarto trimestre de 2020 as disciplinas a serem ofertadas são:
- Sexta-feira / Tarde - Seminário Avançado I (ATLE) - Dra. Sandra Regina Simonis Richter / Dra. Ana Luisa Teixeira de Menezes
- Sexta-feira / Noite - Educação e Poética da Linguagem - Dra. Sandra Regina Simonis Richter
- Sexta-feira / Tarde - Seminário Avançado II (ECPS) - Dra. Betina Hillesheim
- Sexta-feira / Noite - Pesquisa, Currículo e Formação Docente - Dr. Cláudio José de Oliveira
- Sexta-feira / Tarde - Currículo, Regulação e Emancipação - Dr. Éder da Silva Silveira
- Sexta-feira / Noite - Seminário Avançado III (ETE) - Dra. Cheron Zanini Moretti
As aulas do 4º trimestre iniciam no dia 16 de outubro de 2020. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail: ppgedu@unisc.br
quinta-feira, 24 de setembro de 2020
quarta-feira, 23 de setembro de 2020
Divulgação Artigo
Título: Educação, tecnologias 4.0 e a estetização ilimitada da vida: pistas para uma crítica curricular Autor: Roberto Rafael Dias da Silva
Cadernos IHU ideias, ano 18, nº 301, vol. 18, 2020.
Acesso em: http://www.ihu.unisinos.br/images/stories/cadernos/ideias/301cadernosihuideias.pdf
Divulgação Dossiê
REVISTA INTERINSTITUCIONAL ARTES DE EDUCAR
V. 6, N. 3 (2020): DOSSIÊ ITINERÂNCIAS ENTRE MICHEL FOUCAULT E EDUCAÇÃOsegunda-feira, 14 de setembro de 2020
Congresso Internacional Biopolíticas
(28-30 setembro de 2020)
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
Aula aberta com o professor Sylvio Gadelha
Aula aberta com o professor Sylvio Gadelha (UFC) no PPG de Psicologia da Unifor. Ocorrerá dia 16 de setembro, uma quarta, às 9 horas da manhã.
Tema: A ontologia do presente Foucaultiana
Link: https://meet.google.com/vpk-fsnq-wjk?authuser=0








