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Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, Brazil
O Observatório de Educação e Biopolítica (OEBIO) é uma iniciativa integrada ao Grupo de Pesquisa Identidade e Diferença na Educação e à Linha de Pesquisa Educação, Cultura e Produção de Sujeitos, no âmbito do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Santa Cruz do Sul – RS. O OEBIO reúne pesquisadores(as) interessados nos estudos pós-estruturalistas, especialmente nos estudos foucaultianos, e suas interseções com a Educação. O objetivo do blog é divulgar as pesquisas (dissertações e teses), publicações e ações do grupo, além de criar espaços para trocas, parcerias e diálogos com pesquisadores(as) de outras instituições.

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terça-feira, 18 de março de 2025

Um texto memorável

 Nas ditaduras, a vida não tem paredes e nem mesmo os sonhos estão a salvo

Alguém dizia que o verdadeiro problema de estar preso é não poder trancar a porta por dentro.

Nunca estive preso. Mas imagino que esse seja o maior dos terrores: a porta se abre a qualquer momento para que o Estado exerça a sua violência sobre nós.

Em ditadura, deve ser a mesma coisa. Aliás, o que é uma ditadura senão uma prisão coletiva?

O filme "Ainda Estou Aqui" ilustra essa dinâmica na perfeição. Verdade: os jagunços batem à porta dos Paiva. Mas é apenas uma cortesia ilusória.

A invasão do espaço íntimo, com seu cortejo de abusos e boçalidades, é o prelúdio de um crime maior: o assalto a uma família e a destruição física de um dos seus membros.

Para o poder ditatorial, a vida não tem paredes, eis o ponto. Só os sonhos estão a salvo, embora haja quem discorde: a escritora alemã Charlotte Beradt (1907–1986) dedicou-se a registrar os sonhos que os alemães tiveram entre 1933 e 1939 para mostrar os tentáculos invisíveis do totalitarismo.

O resultado é uma obra-prima intitulada "O Terceiro Reich do Sonho", traduzida para o português por Mário Gomes e publicada pela editora lusa VS. É um dos meus grandes livros do ano.

Não há violência física nesses sonhos, porque Beradt optou por não publicar esses relatos. Curiosamente, Walter Salles também ocultou essa dimensão mais primitiva e bárbara. Entendo. Não devemos dar aos algozes a alegria de contemplarem suas próprias atrocidades.

A violência assume outra forma: a transformação do cotidiano em um "estado de exceção", onde não há lugar para segurança e previsibilidade e onde até os objetos mais banais se tornam provas incriminatórias.

Ou então, em vozes inquisitoriais, repetindo mecanicamente a propaganda do regime ou acusando os indivíduos de suas falhas e misérias, como em "1984", de George Orwell.

Os alemães sob Hitler sonhavam que as palavras mais inocentes —"eu", "Deus", "infelicidade"– os condenavam de imediato. Sonhavam que os próprios pensamentos estavam sob escuta. Sonhavam em língua estrangeira (e estranha) para que nem eles pudessem decifrar o que diziam ou pensavam.

Entre 1933 e 1939, sonhou-se muito com narizes grandes e peles morenas, mesmo entre os "arianos", como se as dimensões do corpo ou a pigmentação da pele fossem marcas de infâmia.

Documentos ou passaportes eram constantes nesses filmes oníricos. Como se o papel certo, ou errado, fosse a diferença fundamental entre a vida e a morte. Ver os documentos destruídos, perdidos, esquecidos –o maior dos pesadelos, no sentido literal e metafórico.

E que dizer da professora de matemática que sonhava recorrentemente com uma Alemanha onde até a matemática tinha sido proibida?


Ela, apesar de tudo, conseguia ainda escrever algumas equações em segredo, como se os números a mantivessem ligada a uma vida que perdera.

No livro de Beradt, dois sonhos em especial possuem qualidades literárias que os elevam acima de um simples documento histórico. Poderiam ter sido escritos por Kafka, não fosse ele já o autor de todos os pesadelos possíveis.

O primeiro, recorrente, pertence a um industrial alemão, social-democrata, que recebe a visita de Goebbels na sua fábrica. Em frente aos trabalhadores, o homem demora 30 longos minutos a levantar o braço para fazer a saudação nazi.

Numa das versões, o esforço é tanto que o industrial quebra a coluna, como se fosse um boneco enferrujado.

No segundo sonho, um médico antinazista é chamado de urgência para tratar Hitler. O homem vai, cura o ditador, é elogiado por ele – e sente orgulho pelo seu feito ao mesmo tempo em que chora de vergonha por sentir orgulho.

Nos dois casos, a violência não vem apenas do regime, mas também dos próprios indivíduos contra si mesmos. Essa é uma das conclusões de Charlotte Beradt sobre o totalitarismo: o medo e o terror são tão interiorizados que os indivíduos acabam se tornando "cúmplices" involuntários da própria submissão.

Aliás, se dúvidas houvesse, a autora apenas cartografou um único sonho em que Hitler era assassinado. Matar o tirano era não só indizível como inimaginável.

Nessa galeria de sonhos, Beradt dedica um capítulo aos sonhos dos judeus, que, estranhamente, tragicamente, oscilam entre a tentativa de cortejar as boas graças de Hitler e a imperiosa necessidade de fugir dele.

Num desses sonhos, um judeu viaja ao Único País que não Odeia Judeus (assim referido), atravessando as terras geladas da Lapônia. Mas, ao chegar à fronteira da salvação, até essa última porta se fecha na sua cara.

Entre as portas que não conseguimos trancar e aquelas que não conseguimos abrir, que venha o diabo e escolha.

João Pereira Coutinho

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2025/03/nas-ditaduras-a-vida-nao-tem-paredes-e-nem-mesmo-os-sonhos-estao-a-salvo.shtml

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Dossiê

Está aberta a chamada para o dossiê:

"O que fazem os números? Produções, usos e efeitos da quantificação da vida cotidiana".

Prazo: 15 de março de 2021.

Dossiê será publicado em agosto de 2021. Serão aceitos textos originais em português, espanhol e inglês.

Resumo:

A deflagração da pandemia do Covid-19 casou uma intensa circulação de tabelas, gráficos, estatísticas e rankings que buscam narrar o ‘comportamento’ das infecções e mortes pelo novo vírus. Tais ‘dados’ se tornaram o cerne de disputas e negociações, evidenciando a centralidade e efeitos políticos das narrativas numéricas. Há muito as Ciências Sociais têm abordado processos de mensuração de populações e fenômenos sociais como instrumentos de poder e, mais recentemente, pesquisas têm avançado a discussão sobre a maneira como processos sociais complexos são transformados e reduzidos a números. Neste dossiê, convidamos pesquisadoras e pesquisadores a se debruçarem sobre a vida social dos números e indicadores que fazem parte das práticas e tecnologias de governo contemporâneos. Buscamos reunir artigos que investiguem de forma empírica a produção, uso e efeitos de dados quantitativos a partir de diferentes produções numéricas do campo da saúde, governança, justiça, ativismos, políticas globais, e etc.

 

Abstract:

The Covid-19 pandemic has brought to our attention the intense circulation of tables, graphics, statistics, and ranks used to narrate the new virus’ infections and deaths “behavior”. These data became the center object of disputes and negotiations that explicit the political effects of numerical narratives. For a long time now, Social Sciences has analyzed the mensuration process of populations and social phenomena as power relations and, more recently, it has advanced the discussion on how complex social processes are transformed and reduced to numbers. In this special number, we invite researchers to embrace the social life of numbers and rankings that take part in contemporary practices and technologies of government. We look forward to gathering papers that draw from empirical research on the productions, uses and effects of quantitative data from different numerical productions from health policy and practice, scientific practices, governance, justice, activism, and global policy.

 

As contribuições devem ser submetidas através do sistema online da revista:


http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/index

Para uma visão mais detalhada da proposta e dos objetivos deste dossiê, acesse:
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/announcement/view/302

Organizadores: Glaucia Maricato (FUB) Vitor Simonis Richter (UFRGS)

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Edital Fluxo Contínuo Mestrado em Educação UNISC.



PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
EDITAL DE FLUXO CONTÍNUO PARA INGRESSO NO CURSO DE MESTRADO - TURMA 2021

INSCRIÇÕES: de 15/01/2021 até o dia 16/02/2021 através do e-mail ppgedu@unisc.br


INFORMAÇÕES: 
Fone:(51) 3717-7543




quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Artigo

Artigo do professor Alfredo Veiga-Neto. Mais uma Lição: sindemia covídica e educação, publicado em: Educ. Real. vol.45 no.4 Porto Alegre 2020 Epub Jan 11, 2021

Acesso em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2175-62362020000400203&lng=en&nrm=iso&tlng=pt


RESUMO:
Este artigo articula os desdobramentos das crises geradas pela pandemia da COVID-19, com as deficiências da educação escolar, no Brasil. Argumenta que uma escola marcada por desigualdades, exclusões, elitismo, facilitação e superficialidade vem gerando amplos contingentes de estultos e refratários às orientações científicas de prevenção à pandemia e seu controle. Tal situação é agravada por parte das classes políticas dirigentes, cujos líderes são fiéis adeptos do negacionismo, fundamentalismo político e religioso, anticientificismo e conspiracionismo. Propõem-se alguns princípios norteadores para a educação científica com ênfase nas dimensões gnosiológica e formativa. É feita uma revisão da nomenclatura usada pelos estudos sobre pandemias.

Palavras-chave: Pandemia; Sindemia Covídica; Currículo e Educação Científica; Governamentalidade; Estultice

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

XII Jornada Acadêmica “Educação em mudanças: rastros e caminhos em tempos pandêmicos

Programação da XII Jornada Acadêmica “Educação em mudanças: rastros e caminhos em tempos pandêmicos”.

Informações sobre a submissão de trabalhos e inscrição no evento estão disponíveis em: 


Quando: 12, 13 e 14 de novembro de 2020 – via Google Meet*

Carga Horária: 30 horas

Inscrições: Pela internet, Apresentador(a) de Trabalho** até o dia 28/10/2020 e Ouvintes até o dia 09/11/2020;

Investimento: Para a condição de Ouvinte: R$ 20, 00; para a condição de Apresentador(a) de Trabalho: R$ 40,00

*Os links para as salas virtuais serão disponibilizados próximo a data do evento. Os(as) inscritos(as) receberão as devidas informações.

**Poderão ser submetidos trabalhos no formato de resumos expandidos. Confiram as normas e template.

 

Programação – Via Google Meet

- 12/11 (quinta-feira)

Manhã:

9h às 12h: Minicurso: “A escrita e a pesquisa em tempos de pandemia”, Diego Dal Bosco Almeida

Tarde:

13h30m às 17h: Apresentação de Trabalhos

Noite:

18h30m: Momento cultural

19h: Abertura Coordenação

19h15m às 20h15m: “Tecnologias, pandemia e educação”, Vitor Alexandre Pordeus da Silva

20h30m às 22h: “Tecnologias, pandemia e educação”, Roberto Rafael F. da Silva

 

 - 13/11 (sexta-feira)

Manhã:

9h às 12h: Minicurso: “Estudos subalternos, pós- -colonialismo e a decolonialidade nas pesquisas em Educação”Cheron Moretti

Tarde:

13h30m às 17h: Apresentação de Trabalhos

Noite:

18h 30m: Momento cultural

19h às 22h: “População em vulnerabilidade, educação e tempos pandêmicos”, Dóris Soares, Bruno Ferreira e Fernando Seffner

  

14/11 (sábado)

Manhã:

9h às 10h30m: “O lugar da ciência na pós-verdade”Betina Hillesheim e Mozart Linhares da Silva

10h45m às 12h: “Educação Básica em mudanças”Sandra Richter e Éder da Silva Silveira

Tarde:

13h30m às 17h: Apresentação de Trabalhos

terça-feira, 13 de outubro de 2020

LIVROS À VENDA!




LIVROS À VENDA! Os organizadores do livro "Por uma microfísica das resistências: Michel Foucault e as lutas antiautoritárias da contemporaneidade" (Pontes, 2020) estão colocando alguns exemplares à venda! O preço é R$ 48,00 com frete grátis pra qualquer lugar do país! Os interessados devem entrar em contato diretamente com os professores, considerando a região do país para a qual desejam que o livro seja enviado:
Se você mora nas regiões Norte ou Nordeste, deve entrar em contato com a Professora Amanda através do e-mail: braga.ufpb@hotmail.com;

Se você mora nas regiões Sudeste, Sul e Centro-oeste, deve entrar em contato com o Professor Israel através do e-mail: israeldesa@gmail.com.

Esta divisão tem por intuito fazer com que a encomenda chegue mais rápido a todos(as)!

Aos que preferirem, o livro também está disponível para venda no site da Editora Pontes.

Fonte: https://www.instagram.com/p/CFxC7NgpE7c/



terça-feira, 29 de setembro de 2020

Divulgação

 INSCRIÇÕES ABERTAS PARA ALUNO ESPECIAL - MESTRADO E DOUTORADO EM EDUCAÇÃO


O Programa de Pós-Graduação em Educação – Mestrado e Doutorado, da Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC, está com inscrições abertas até o dia 09 de outubro de 2020, para os interessados em cursar disciplina na modalidade ALUNO ESPECIAL no 4º trimestre de 2020.  

COMO REALIZAR A INSCRIÇÃO?
Para realizar a inscrição é necessário preenchimento do Requerimento de Matrícula – Aluno Especial, acompanhado das cópias dos seguintes documentos: Mestrado: cópia do RG, CPF, histórico escolar e diploma da graduação, além do curriculum vitae. Doutorado: cópia do RG, CPF, histórico escolar e diploma da graduação e do Mestrado, curriculum vitae, além do resumo da dissertação.

No quarto trimestre de 2020 as disciplinas a serem ofertadas são:
 
DISCIPLINAS OPTATIVAS DAS LINHAS DE PESQUISA - COMUNS AO MESTRADO E DOUTORADO
  • Sexta-feira / Tarde - Seminário Avançado I (ATLE) - Dra. Sandra Regina Simonis Richter / Dra. Ana Luisa Teixeira de Menezes
  • Sexta-feira / Noite -  Educação e Poética da Linguagem - Dra. Sandra Regina Simonis Richter
  • Sexta-feira / Tarde - Seminário Avançado II (ECPS) - Dra. Betina Hillesheim
  • Sexta-feira / Noite - Pesquisa, Currículo e Formação Docente - Dr. Cláudio José de Oliveira
  • Sexta-feira / Tarde - Currículo, Regulação e Emancipação - Dr. Éder da Silva Silveira
  • Sexta-feira / Noite - Seminário Avançado III (ETE)  - Dra. Cheron Zanini Moretti
Os interessados devem enviar o formulário devidamente preenchido junto com a documentação acima listada para o e-mail ppgedu@unisc.br até o dia 09.10.2020. O processo de inscrição inclui apreciação do pedido por parte da Coordenação do Curso. O candidato será contatado pela Secretaria do Programa para comparecer na Universidade a fim de efetivar a matrícula.    

As aulas do 4º trimestre iniciam no dia 16 de outubro de 2020. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail: ppgedu@unisc.br

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Divulgação Artigo



Título: Educação, tecnologias 4.0 e a estetização ilimitada da vida: pistas para uma crítica curricular Autor: Roberto Rafael Dias da Silva 

 Cadernos IHU ideias, ano 18, nº 301, vol. 18, 2020.

Acesso em: http://www.ihu.unisinos.br/images/stories/cadernos/ideias/301cadernosihuideias.pdf


Divulgação Dossiê

 


REVISTA INTERINSTITUCIONAL ARTES DE EDUCAR

V. 6, N. 3 (2020): DOSSIÊ ITINERÂNCIAS ENTRE MICHEL FOUCAULT E EDUCAÇÃO

Acesso: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/riae

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Congresso Internacional Biopolíticas

 

(28-30 setembro de 2020)

O convite às "Biopolíticas", embora as diversificadas abordagens possíveis que o conceito em sua compreensão e riqueza pode abarcar, nos mais distintos contextos, meios e matizes, possui um dado básico que deve ser situado como substrato do qual emana essa temática: a vida. A vida é o sujeito/objeto sobre o qual e em torno da qual se age por meio de dispositivos de poder, por meio de ações crescentemente demarcadas por estratégias técnicas e políticas que a gerem e a administram. Nesse sentido, busca-se proporcionar um espaço de debate e de reflexões acerca do tema na atualidade. 
Sendo assim, o Evento comporta a participação de duas formas principais: na condição de ouvinte e, também, na condição de expositor em um dos Grupos Temáticos de Trabalho.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
• A realização da inscrição, aos interessados em apresentar trabalhos nos Grupos Temáticos, deverá ser efetuada diretamente com o coordenador de cada GT, por meio de seu endereço eletrônico, conforme consta abaixo:
• Prazo final para inscrição: 21 de setembro de 2020, e precisa contemplar os seguintes elementos:
Autor
Filiação Institucional
Título
Resumo: no máximo 10 linhas, fonte 12, Times new roman; [exposição do tema, problema e justificativas da proposta];
Palavras-chave: até quatro palavras.
• Os links de acesso às salas das Conferências e dos GT´s serão oportunamente disponibilizados no site.
• Participantes que desejarem comprovação precisam ter a participação mínima de 75% da programação do evento. Será disponibilizado um e-mail para contato no decorrer das atividades.

PROGRAMAÇÃO
28 de setembro
GT 1: Vinicius Honesko (UFPR – viniciushonesko@gmail.com); Jonnefer Francisco Barbosa (PUC-SP); Eduardo Pellejero (UFRN) e Acácio Augusto (UNIFESP) – 8h30-11h30h
“Os limites da representação e o ingovernável”
O esgotamento das formas de vida e da política contemporâneas – seja por conta das dinâmicas políticas seja em relação aos limites entrópicos a que o modo de vida capitalista levou o próprio planeta – coloca ao pensamento questões incontornáveis. Nesse sentido, o grupo temático "Os limites da representação e o ingovernável" procurará abordar problemas como ligados à questão da representação política e do governo, às noções e possibilidades de outras formas-de-vida, às constituições de formas autonomistas de pensar os modos de ser-em-comum.

GT 2: Pablo Ornelas (UVV - pablo.rosa@uvv.br); Aknaton Toczek Souza (UNISECAL/UFPR) e Pedro Rodolfo Bodê de Moraes (UFPR) – 14h30-17h30h
“Governamentalidades no século XXI”
O Grupo Temático a visa contemplar pesquisas amparadas em análises construídas a partir de diálogos com a analítica foucaultiana para tratar das mudanças ocorridas no século XXI. As análises apresentadas por Michel Foucault até o ano de sua morte, ocorrida em 1984, influenciaram diversos pesquisadores mundo afora, passando a serem utilizadas também como ferramentas fundamentais para compreender o tempo presente. A intensidade de suas reflexões compreendidas a partir de uma perspectiva com alcance interdisciplinar, abarcando diferentes objetos que perpassam loucura, sexualidade, crime, dentre outros assuntos, permitiu com que fossem produzidas diversas leituras acerca do tempo presente, amparadas nas ferramentas oferecidas por esse importante autor. Nesse sentido, mesmo tendo falecido ainda no século XX, diversos analistas do século XXI permanecem utilizando suas categorias e noções, visando compreender a contemporaneidade tanto a partir dos elementos analíticos construídos por ele quanto por meio de suas apropriações teóricas.

CONFERÊNCIAS
19h: Abertura: AGEMIR BAVARESCO (Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUCRS)
19h15: VERONICA GAGO (UBA/Argentina) – “Mutaciones neoliberales y revueltas feministas en America Latina” 
20h: MARGARETH RAGO (Unicamp) – “Governamentalidade neoliberal, feminismos e paradoxos do direitos"
Mediação: Prof. Dr. Fernanda Martins
29 de setembro

GT 3: Cleide Calgaro (UCS - ccalgaro1@hotmail.com); Deilton Ribeiro Brasil (Universidade de Itaúna – MG) – 8h30-11h30
“Democracia, consumo e meio ambiente”
O presente GT visa a um estudo da democracia e sua interrelação com o consumo e o meio ambiente a fim de verificar os reflexos socioambientais. Ao se analisar o meio ambiente parte-se do viés da sustentabilidade e de como consolidar os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável numa estrutura democrática que está fundada numa sociedade de consumo, a qual impõem aos consumidores modos de vida e padrões estruturais voltados ao consumocentrismo. Por isso, o GT pretende entender como a democracia, o consumo e o meio ambiente se interligam e como as problemáticas estruturais socioambientais podem ser minimizadas.

GT 4: Rosana Nora (criacaohumana@hotmail.com) e Bárbara Parobé Mariano da Rocha (barbarapmariano@gmail.com) – Psicanalistas – 14h30-17h30
“Estados fascistas da mente”
Este grupo temático parte da proposta do psicanalista Christopher Bollas (1998) sobre a presença de um estado de mente fascista que opera psiquicamente em indivíduos ou grupos e tem como elemento essencial a presença de uma ideologia ou crença que expurga outras facetas da mente e torna-se central e dominadora, eliminando toda a forma de oposição e conflito. Tal estado opera de forma a projetar as diferenças para fora de si e encontra como alvo as populações compreendidas como minoritárias (mulheres, pessoas negras, população LGBTQ, população indígena, etc.). A Mente, neste estado, funciona de modo simplista, usando uma forma parcial como completa, congelando a ordem simbólica e os significantes, dando fim à polissemia. As contradições são repelidas, a crença tem apenas uma verdade secreta que explicaria tudo. Por compreendermos a constituição psíquica dos sujeitos como intrínseca às construções sociais, desejamos lançar a proposta de um estado de mente fascista em ressonância com as reflexões entre psicanálise e os diversos campos de saberes políticos, filosóficos e sociais, de modo a tecer problematizações sobre as condições de subjetivação da atualidade. Ao considerar o pensamento psicanalítico enquanto um saber articulado nos diferentes campos de força e intensidade, a proposta deste grupo temático também abarca as implicações da psicanálise enquanto mantenedora ou questionadora das condições de possibilidade de tais formações, nas mais diferentes esferas entre o psíquico e o social.

CONFERÊNCIAS
18hs: WLAMYRA RIBEIRO DE ALBUQUERQUE (UFBA) – “Cidadania negra e a racialização do Estado republicano”
19hs: FABIÁN LUDUEÑA ROMANDINI (UBA/Argentina) - "Los arcana imperii de la era telemática: la pandemia global y el destino teológico-político del signo"
20hs: SAYAK VALENCIA (Colef/México) – “Del capitalismo Gore e la política snuff: nueva normalidad y glotaritarismo” 
Mediação – Evandro Pontel (PNPD-PPGFil/PUCRS) e Isis Hochmann de Freitas (PPGFil/PUCRS)
30 de setembro

GT 5: Márcia Junges (Unisinos) mjunges@unisinos.br; William Costa (william_19costa@hotmail.com) e Castor Ruiz (Unisinos) – 8h30-11h30:
“Democracia e Filosofia Política: intercâmbios” 
Pensar a democracia em seus limites e potências a partir de chaves filosóficas se traduz em oportunidades de fortalecer esse sistema político frente a um cenário global de recrudescimento do fascismo e esvaziamento da reflexão crítica. Assim, os intercâmbios entre pensamentos de ruptura como as filosofias de Agamben, Nietzsche, Esposito, Negri, Arendt, Benjamin e Foucault são solo fértil para germinar reflexões acerca de uma democracia revigorada, que supere a captura da vida pela maquinaria do poder soberano e a redução da existência à vida nua. Ao invés do esvaziamento da política, ou de uma “política sobre a vida”, torna-se urgente pensar uma “política da vida”. 

GT 6: Rossano Pecoraro (Departamento de Filosofia e Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Biociências (PPGENFBIO - rossfilo@hotmail.com) – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/UNIRIO) e Tania Valente (Departamento de Saúde Coletiva e Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Biociências (PPGENFBIO) – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/UNIRIO) – 14h30-17h30
"Geneaologia crítica da história e do conceito de biopolítica"
Vida(s) e corpo(s) são a matéria prima das dinâmicas políticas e das ações institucionais do nosso tempo. Já está nítido, usando as palavras de Roberto Esposito, que a “definição de vida humana”, a decisão sobre o que é uma vida humana, será “o mais relevante objeto de disputa” científico-política. Ora, quais são os fundamentos teóricos da passagem de uma “política de administração da vida biológica” para uma “política que prevê a possibilidade da transformação artificial da vida” e dos corpos? Qual é o sentido, hoje, do processo de “medicalização da vida” do qual falava Foucault nos anos setenta do século passado? Qual é o papel da sociedade contemporânea diante das “lutas de poder” travadas para o controle e o direcionamento da “criação dos seres humanos”? Quais seriam as “relações” entre o “fazer viver e deixar morrer” e a ideologia, a tanatopolítica e a necropolítica? No confuso horizonte do tempo presente faz-se necessário empreender uma genealogia crítica da história e do conceito de Biopolítica, desde as primeiras elaborações no início do século XX, passando pelas análises de Foucault, Esposito, Negri, Agamben, Mbembe, Habermas, Byung-Chul Han até o pensamento feminista e as reflexões latino-americanas. Pesquisadores(as) e estudantes são convidados(as) a participar enviando propostas de comunicação que abordem essas questões a partir de perspectivas filosóficas, médicas, éticas, políticas, jurídicas e pedagógicas.

CONFERÊNCIAS
19hs: RODRIGO KARMY BOLTON (Un. de Chile): “La na-arquía del comienzo: sobre la ritmicidad de la revuelta”.
20hs: CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO e LANÇAMENTO DA OBRA “Foucault além de Foucault: uma política da filosofia” (Criação Humana, 2020).
SANDRO CHIGNOLA (Università degli Studi di Padova – Itália)
Mediação: Augusto Jobim do Amaral (PPGFil/PUCRS)

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Aula aberta com o professor Sylvio Gadelha

Aula aberta com o professor Sylvio Gadelha (UFC) no PPG de Psicologia da Unifor. Ocorrerá dia 16 de setembro, uma quarta, às 9 horas da manhã. 

Tema: A ontologia do presente Foucaultiana


Link: https://meet.google.com/vpk-fsnq-wjk?authuser=0