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Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, Brazil
O Observatório de Educação e Biopolítica (OEBIO) é uma iniciativa integrada ao Grupo de Pesquisa Identidade e Diferença na Educação e à Linha de Pesquisa Educação, Cultura e Produção de Sujeitos, no âmbito do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Santa Cruz do Sul – RS. O OEBIO reúne pesquisadores(as) interessados nos estudos pós-estruturalistas, especialmente nos estudos foucaultianos, e suas interseções com a Educação. O objetivo do blog é divulgar as pesquisas (dissertações e teses), publicações e ações do grupo, além de criar espaços para trocas, parcerias e diálogos com pesquisadores(as) de outras instituições.

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Artigo publicado

SCOTTA, Larissa; SILVA, MOZART Linhares da.  Família docendis: educação e ethos neoliberal na contemporaneidade. Revista Retratos da Escola (Dossiê Conservadorismos na Educação Básica, organizado por Iana Gomes de Lima e Bruna Dalmaso-Junqueira.) , Brasília, v. 18, n. 4, p. 833-852. Disponível em: https://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2197/1274.

 http://dx.doi.org/10.22420/rde.v18i42.2197



versidade de Santa Cruz do Sul.
E-mail: <mozartls@unisc.br>.http://dx.doi.org/10.22420/rde.v18i42.2197

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Artigos publicados

 Título: Uma leitura biopolítica de pinturas da História do Brasil

Autor: Manuel Alves de Sousa Junior

Revista de Humanidades, Tecnologia e Cultura - REHUTEC, Vol. 10 Nº 2, Dezembro de 2021

Acesse o periódico: https://8d6b9f8a-910d-4c0e-8e2d-f6c0ea7c677c.filesusr.com/ugd/c3ebcb_eac704399f3a4712ab52ee610980702a.pdf

 Resumo:

O artigo aborda uma análise de pinturas que representam diferentes momentos da história do Brasil sob uma perspectiva biopolítica foucaultiana. A história da arte refletiu e representou a sociedade de seu tempo a partir de uma leitura artística. Foram selecionadas quatro pinturas de momentos diferentes da história do Brasil e analisados a partir das lentes biopolíticas. Em algumas obras também foi possível o diálogo teórico com o conceito de necropolítica de Achille Mbembe. Elementos importantes do processo de construção nacional foram citados e discutidos a partir das obras de arte como sociedades indígenas, escravidão, eugenia, higiene, sanitarismo e república. A leitura biopolítica permitiu refletir sobre os grupos minoritários ou minoritarizados da sociedade brasileira atual.

Palavras-chave: Eugenia. Teorias raciais. Biopolítica. Necropolítica. História do Brasil.

 

Título: Educação eugênica sim, e daí? Condutas do governo brasileiro na pandemia sob perspectiva necrobiopolítica

Autor: Manuel Alves de Sousa Junior

Missóes - Revista de Ciências Humanas e Sociais, Vol. 7 Nº 3, fevereiro de 2022

Acesse o periódico: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/Missoes/article/view/108734

 Resumo:

Este artigo apresenta um compilado de falas e ações eugênicas proferidas por integrantes do governo federal e analisadas com as lentes da biopolítica de Foucault e necropolítica de Mbembe. O Brasil figura com destaque internacional pelo péssimo desempenho ao longo da pandemia. Desde que a COVID-19 chegou ao país, o governo vem atuando com um negacionismo explícito de diversas formas: provocando aglomerações, disseminando fake news, condenando o uso de máscaras, estimulando a imunidade de rebanho e medicamentos sem comprovação cientifica. Muitas dessas medidas podem ser consideradas eugênicas visto que promovem a morte de uns em detrimento de outros, base da premissa eugenista de purificar uma raça de modo que alguns selecionados devem morrer para o bem e para a vida melhor de outros. Esse contexto está imerso na necro-biopolítica. As ações eugênicas não surpreendem, visto que o chefe do executivo federal sempre flertou com o nazismo e com práticas consideradas eugenistas como o controle da natalidade pela esterilização de pobres. No contexto pandêmico essas ideias ganham outra dimensão em um país que segue contando seus mortos aos milhares. Muitas mortes poderiam ter sido evitadas com uma condução mais efetiva e coordenada da gestão no combate ao vírus.

Palavras-chave: Eugenia. Darwinismo social. Biopolítica. Necropolítica. Pandemia da COVID-19.

 

Título: Uma neoeugenia no colapso da saúde do Brasil pandêmico em uma perspectiva biopolítica

Autor: Manuel Alves de Sousa Junior

Research, Society and Development, Vol. 11 Nº 2, fevereiro de 2022

Acesse o periódico: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/26154/22836

 Resumo:

O objetivo deste trabalho foi trazer a reflexão sobre a presença de alguns sinais eugênicos estarem sendo aplicados involuntariamente, ao longo da pandemia, por médicos e por outros  profissionais  de  saúde  de  acordo  com  uma perspectiva  biopolítica.  A eugenia também pode ser definida como uma ciência ou método de seleção humana baseado principalmente em premissas biológicas e não relacionado com incompreensão religiosa ou com embates de um sistema de dominação político-econômica.  A pandemia da COVID-19 é situada no contexto nacional sob a perspectiva biopolítica e do racismo de estado, conhecidos como alguns dos conceitos foucaultianos. Os profissionais de saúde passaram por muitos desafios ao longo da crise sanitária, principalmente com relação às escolhas que foram obrigados a fazer, visto que em determinados momentos o sistema de saúde colapsou no país. Trazemos a reflexão se essa escolha dos profissionais de saúde poderia ser uma nova leitura da eugenia no contexto pandêmico.

Palavras-chave: Teorias raciais. Pandemia COVID-19. Biopolítica. Necropolítica. Eugenia.

 

Título: ‘Porque a gente era bom no que fazia': a romantização da escravidão ocidental no Big Brother Brasil 2022

Autor: Manuel Alves de Sousa Junior, Thamires da Costa Silva, Robson Batista Moraes

Kwanissa - Revista de Estudos Africanos e Afro-brasileiros, Vol. 05 Nº 12, junho de 2022

Acesse o periódico: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/kwanissa/article/view/18762/221

 Resumo:

Esta pesquisa traz reflexões provocadas a partir de um discurso da participante Natália Deodato, no programa Big Brother Brasil 2022, em que romantiza a escravidão. O regime escravista ocidental foi um processo violento que ocorreu na modernidade e, até hoje, possui reverberações na sociedade como os diversos tipos de racismos: estrutural, individual e institucional, dentre outros. Suas palavras foram analisadas com base na ciência e na historiografia, utilizando também  estudos  de  Michel  Foucault  e  Achille  Mbembe  como  lentes  teóricas. Entendemos que o relato da participante foi equivocado e que pode atuar em uma educação anacrônica dos espectadores e população brasileira, demonstrando a falta de letramento racial da participante. A escravidão deve ser rememorada como um momento histórico, cruel e violento, jamais ser romantizada. É essencial abordar a escravidão de forma crítica, para que discursos como a da participante Natália Deodato não se proliferem, pois contribuem para o fortalecimento mito da democracia racial e para o silenciamento dos desdobramentos da escravidão no Brasil.

Palavras-chave: Escravidão. Romantização da Escravidão. Racismo Estrutural. Mito da Democracia Racial. Produção de verdades.

 

Título: ‘A biologia como ciência responsável pelo racismo estrutural: aspectos históricos, científicos e político-filosóficos

Autor: Manuel Alves de Sousa Junior

Missões - Revista de Ciências Humanas e Sociais, Vol. 08 Nº 02, agosto de 2022

Acesse o periódico: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/Missoes/article/view/111275/30568

 Resumo

O estudo  aborda  aspectos  importantes  sobre  como  a  biologia  foi  utilizada  para legitimar  o  racismo  estrutural  no  Brasil.  Foi  realizada  uma  pesquisa  sobre  como  as  Teorias Raciais do Século XIX e seus desdobramentos utilizaram os aspectos biológicos para justificar uma suposta superioridade de grupos humanos sobre outros, sobretudo de brancos sobre não brancos. Para um completo entendimento foi necessário também abordar no estudo os aspectos históricos,  como  a  escravidão,  conferência  de  Berlim,  colonialismo  e  imperialismo,  situação europeia  e  brasileira  em  fins  do  século  XIX  e  início  do  século  XX.  Os  mitos  da  democracia racial e do fardo do homem branco ajudam a entender a legitimação da superioridade branca. Como embasamento teórico, filosófico e político, o artigo traz a biopolítica foucaultiana (poder e o racismo de Estado) Giorgio Agamben (vida nua), Achille Mbembe (necropolítica) e Judith Butler (precariedade), que com seus conceitos ajudam a entender e refletir sobre o tema e suas reverberações para a atualidade do racismo brasileiro. Como reflexões finais, trazemos que a biologia, enquanto ciência, não pode ser culpada, no entanto, é inegável que foi utilizada por intelectuais  brasileiros  para  legitimação  da  superioridade  branca  e  ajudou  na  instituição  do racismo estrutural, individual e institucional no Brasil.

Palavras-chave: Racismo científico. Racismo estrutural. Teorias raciais. Biologia.

 

Título: Namíbia, não! Biopolítica, necropolítica e racismo de Estado em Medida Provisória

Autor: Manuel Alves de Sousa Junior

Revista Captura Críptica, Vol. 12 Nº 02, dezembro de 2023

Acesse o periódico: https://ojs.sites.ufsc.br/index.php/capturacriptica/article/view/6181/604

 Resumo:

Essa pesquisa buscou fazer uma análise do filme Medida Provisória com a realidade do país, tendo como foco as lentes teóricas da biopolítica e racismo de Estado de Michel Foucault e necropolítica de Achille Mbembe. Para a problematização, foi necessário assistir ao filme algumas vezes, inclusive, pausadamente, de modo que fosse possível fazer observações e anotações, que poderiam passar despercebidas. A distopia apresenta estreita relação com os três conceitos apresentados em diversas passagens e com a realidade brasileira, tanto ao longo da história  do  país  quanto  com  a  realidade  atual  que  ocorre  em  cada  esquina  do  Brasil.  O  branqueamento  da população, a eugenia, o darwinismo social, são alguns dos fenômenos históricos brasileiros que dialogam com a ficção.A partir das análises realizadas com suporte teórico, pode-se constatar que a biopolítica, a necropolítica e o racismo de Estado, mostram-se evidentes em diversos momentos no filme, do mesmo modo que é possível fazer correlações da distopia com as realidades presentes em cada canto do Brasil.

Palavras-chave: Biopolítica. Necropolítica. Racismo de Estado. Medida Provisória.

 

Título: Análise das relações raciais em um livro didático de biologia contemporâneo à sanção da lei 10.639/03

Autor: Manuel Alves de Sousa Junior

Semina - Revista dos Pós-Graduandos em História da UFF, Vol. 22 Nº 03, Novembro de 2023

Acesse o periódico: https://seer.upf.br/index.php/ph/article/view/15161/114117723

 Resumo:

O racismo estrutural está enraizado na sociedade brasileira, inclusive no livro didático de biologia. As leis n°. 10.639/2003 e n°. 11.645/2008 trouxeram ganhos importantes para a educação  das  relações  étnico-raciais.  O  Programa  Nacional  do  Livro  Didático  é  muito importante pois promove a universalização de seu acesso para estudantes de todo o país. Em alguns casos, são os únicos livros que os alunos terão em suas vidas. Esta pesquisa analisou um livro didático de biologia contemporâneo à sanção da lei 10.639/03 do ensino médio sobre as relações  étnico-raciais.  Foram  verificadas  um  total  de  575  imagens,  sendo  551  técnicas  e  24 representativas.  Essas  últimas  foram  analisadas  quanto  ao  seu  conteúdo  e,  na  análise,  foi confirmado o racismo estrutural. É necessário que o negro seja inserido nos livros para que a população brasileira seja representada nas obras, visto que 56% da população brasileira é negra. A sugestão é que essa pesquisa continue analisando livros mais recentes para fins comparativos.

Palavras-chave: Livro didático. Biologia. História e cultura afro-brasileira.

 

Título: A necropolítica na história do negro no Brasil: escravidão, pós-abolição e eugenia

Autor: Manuel Alves de Sousa Junior, Henrique Arthur Lopes

Missões - Revista de Ciências Humanas e Sociais, Vol. 9 Nº 01, Janeiro de 2024

Acesse o periódico: https://revistamissoeschs.com.br/missoes/article/view/84/210

 Resumo:

A  necropolítica  é  um  conceito  cunhado  pelo filósofo  camaronês  Achille  Mbembe  a  partir  de  um deslocamento da biopolítica foucaultiana para o genocídio colonial. O objetivo deste artigo é analisar de que forma a necropolítica atravessa e entrelaça as relações escravagistas, o povo negro no período pós abolição e a eugenia no  Brasil  nas  primeiras  décadas  do  século  XX.  A  metodologia  foi  descritiva  e  exploratória  com  levantamento bibliográfico e fontes históricas, com as lentes teóricas da biopolítica e necropolítica. O entendimento e a inserção de  conceitos  como  biopolítica  e  necropolítica  são  peça  chave  para  compreendermos  a  transição  ocorrida  na sociedade  com  o  pós-abolição  e  os  impactos  do  movimento  eugenista  e  suas  reverberações  na  sociedade.  A pesquisa  neste  campo  analítico  tem  sido  alvo  de  disputa política  nos  últimos  anos  no  Brasil,  já  que  o  contexto histórico  estudado  é  historicamente  recente  e  sua  repercussão  na  nossa  sociedade,  a  partir  de  elementos  como racismo, preconceito e desigualdade, ainda estão presentes e favorecem determinadas camadas da população.

Palavras-chave: Escravidão. Pós-abolição. Eugenia. Necropolítica. Biopolítica.

terça-feira, 2 de julho de 2024

Artigos publicados

 Título: Políticas raciais e o atravessamento do ethos neoliberal.

Autores: Mozart Linhares da Silva e Camila Francisca da Rosa

Revista MOSAICO (GOIÂNIA), v. 16, p. 50-64, 2023. Qualis (ISSN: 1983-7801).


https://seer.pucgoias.edu.br/index.php/mosaico/article/view/12822

 

Resumo

O presente artigo objetiva analisar, a partir da perspectiva da biopolítica, o par/ambiguidade empoderamento/coletividade e neoliberalismo/ homoeconomicos como tensionadores das relações raciais implicados nos processos de subjetivação e na constituição de políticas públicas, no caso em ênfase, a política de cotas raciais, que completa 10 anos em 2022 no Brasil. Problematiza-se, a partir do atravessamento de um ethos neoliberal, um sistema estratégico de ambiguidades que mobiliza práticas inclusivas no ethos neoliberal e práticas de resistência. A biopolítica como uma estratégia de governamento da população e dos conflitos raciais articula a partir das políticas públicas novos dispositivos de segurança não mais calcados na discursividade da democracia racial, mas que capturam os sujeitos atravessados pelo ordenamento da racialização e do discurso do empoderamento. Utilizamos como corpus analítico os enquadramentos midiáticos apresentados pela mídia sobre a Lei de Cotas, a partir do qual problematizamos o par/ambiguidade colocado acima.

Palavras-chave: biopolítica, políticas públicas, empoderamento, neoliberalismo, Lei de Cotas.

Título: . A escola e a produção de corpos abjetos: acoplamentos bio-necropolítico

Autores: Rita Quadros da Rosa; Betina Hillesheim e Mozart Linhares da Silva

Revista: Criar educação revista do programa de pós-graduação em educação UNESC, v. 12, p. 40-56, 2023. Qualis (ISSN: 2317-2452).

https://periodicos.unesc.net/ojs/index.php/criaredu/article/view/7596

Resumo

Este texto propõe refletir sobre as relações que se estabelecem entre a escola e os corpos LGBT. Articulando operadores conceituais trabalhados por Michel Foucault, Achille Mbembe e Judith Butler, mais especificamente, os conceitos de biopolítica, necropolítica, abjeção e corpos passíveis de luto, abordaremos o modo como a cis-heteronormatividade circulante no ambiente escolar produz os corpos cis-heterossexuais de forma compulsória e em oposição aos corpos compreendidos como abjetos. Na esteira das discussões sobre necropolítica, argumentaremos que a zona de abjeção na qual são posicionados os corpos que desafiam a cis-heteronormatividade é o elemento que possibilita as políticas de morte contra a população LGBT, sem que a perda de suas vidas gere luto ou comoção.

 


Título: O Devir Racial em Anjo Negro

Autores: Antônio Lopes Filho; Eduardo Steindorf Saraiva e Mozart Linhares da Silva

Revista: Subjetividades, v. 22, p. e12584-13, 2022. Qualis (ISSN: 2359-0777)


https://ojs.unifor.br/rmes/article/view/12584

 

Resumo

Inspirada em Medeia, tragédia de Eurípedes, Anjo Negro – peça escrita por Nelson Rodrigues em 1946 – conta a trajetória de um casal inter-racial que se põe a velar seu terceiro filho assassinado. Ele, homem negro, médico. Ela, mulher branca, aprisionada pelo marido entre os muros da mansão do casal. Através da escrita dramatúrgica de Rodrigues, buscamos refletir o dispositivo da racialidade e da resistência na produção artística, bem como a produção de subjetividade no país da mítica democracia racial. Quando faltam palavras para pôr em pauta o sofrimento gerado no processo de racialização do sujeito negro, em oposição à branquitude tomada enquanto norma e identidade não racializada, a arte oferece o transbordamento, o movimento e a resistência. Arriscamo-nos em uma análise ensaística, compreendendo a autoria enquanto uma multiplicidade: quem escreve, escreve com muitos, com um período histórico e seus empreendimentos. Assim também lemos Anjo Negro, em busca da compreensão do que a obra comunicou quando produzida e o que hoje representa.

Palavras-chave: racialidade, identidade, branquitude, resistência, subjetivação.

 

Título: Educação e inclusão no contexto do neoliberalismo conservador no Brasil

Autore: Mozart Linhares da Silva

Revista: REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA & CIÊNCIAS SOCIAIS, v. 13, p. 149-166, 2022. (ISSN: 2175-3423)

https://periodicos.furg.br/rbhcs/article/view/13530

Resumo

O artigo problematiza, a partir da perspectiva da governamentalidade de Michel Foucault, as relações entre o neoliberalismo, inclusão e exclusão, considerando duas configurações do neoliberalismo, o democrático e o conservador. Mostra como o imperativo da inclusão se constituiu numa estratégia de governamentalidade, sobretudo entre o período democrático, inaugurado pela Constituição de 1988 até o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e como, com a ascensão da extrema-direita, com a eleição de Jair Bolsonaro, esse imperativo perde sua força interpretativa nas análises do neoliberalismo. O artigo está dividido em três partes, além da introdução. Na primeira parte, analisa-se como o imperativo da inclusão agenciou as narrativas neoliberais sobre o capital humano e a educação. Na segunda, problematiza o esgotamento do imperativo da inclusão com a emergência do neoliberalismo de feição conservadora. Por fim, na terceira, ou considerações finais, aponta para a necessidade de problematizações sobre as relações entre neoliberalismo, conservadorismo e fascismo como pano de fundo das discussões sobre educação, in/exclusão e precarização. 

Palavras-chave: Educação, inclusão, exclusão, neoliberalismo, governamentalidade

Artigos publicados

 Título: A educação como serviço essencial no contexto “necroliberal” da pandemia no Brasil

Autora: Larissa Scotta

Criar Educação – Revista do Programa de Pós-graduação em Educação da UNESC

Vol. 12, nº 2, Ano 2023

Acesse o periódico: https://periodicos.unesc.net/ojs/index.php/criaredu/article/view/7293

Resumo:

A proposta deste artigo é a de abordar o modo como a educação é significada pela discursividade neoliberal no contexto brasileiro de pandemia pela Covid-19. A partir da análise da política da morte (MBEMBE, 2018) que se instaura para o todo da população, chega-se à compreensão de que a educação passa a ser inscrita não como um direito social, previsto na constituição, mas como um serviço essencial ao qual os sujeitos precisam aderir. Tal serviço passa a ser fornecido, sob qualquer circunstância, não a “sujeitos de direitos”, que deveriam ter a vida garantida pelo Estado, mas a “sujeitos de mercado”, empresários de si mesmos que poderiam ter a vida abreviada pelo Estado em razão da lógica do “necroliberalismo” (MBEMBE, 2020).

Palavras-chave: Educação. Necroliberalismo. Pandemia.

 

Título: O estudante 'empresário de si mesmo' do Novo Ensino Médio

Autora: Larissa Scotta

Revista Contemporânea de Educação

Vol. 18, nº 43, Ano 2023

Acesse o periódico: https://revistas.ufrj.br/index.php/rce/article/view/55333/39859

Resumo

O texto discute a emergência de um modelo de escolarização, no contexto neoliberal conservador brasileiro, que toma o estudante do ensino médio como um “empresário de si mesmo”, capaz de exercer ações para potencializar seu capital humano a partir de um protagonismo e de uma responsabilização na escolha de seu percurso formativo. A partir do referencial teórico dos estudos foucaultianos, a primeira parte aborda desdobramentos da governamentalidade neoliberal no domínio educacional. A segunda parte mobiliza discursos presentes em diretrizes da reforma do ensino médio no estado do Rio Grande do Sul e aponta a projeção de valores e princípios que advêm do ethos neoliberal. A terceira parte trata do entrelaçamento entre responsabilização individual e esteio familiar.

Palavras-chave: Reforma Ensino Médio. Governamentalidade. Neoliberalismo.

segunda-feira, 22 de março de 2021

Artigo Publicado

“Jogos de verdade”, educação e o ethos do fascismo contemporâneo.

Revista Perspectiva, v. 39, n. 1, (2021).

Mozart Linhares da SilvaUniversidade de Santa Cruz do Sul - UNISC

Betina HillesheimUniversidade de Santa Cruz do Sul - UNISC





Resumo


O artigo problematiza a crise da verdade na contemporaneidade e suas relações com a constituição de um ethos do fascismo, destacando as implicações na educação. Para tanto, analisa os jogos de verdade que estão implicados nas relações de saber-poder e seus critérios de legitimidade institucionais, considerando que esses critérios, chamados de veridicção, estão sendo deslegitimados pelos efeitos discursivos da pós-verdade, considerada uma estratégia de construção de um ethos do fascismo. O dizer verdadeiro, as condições para o dizer verdadeiro são analisados a partir da perspectiva do filósofo Michel Foucault, o que possibilita tensionar o campo de lutas que circunscreve a ideia de verdade e como, na contemporaneidade, os critérios de veridicção estão sendo suspensos pelas narrativas que deslegitimam as instituições do dizer verdadeiro. O anti-intelectualismo, o ataque à educação e aos educadores, bem como à imprensa, são táticas que o fascismo utiliza para desconstruir a ideia de realidade e suspender os critérios de veridicção.

Palavras-chave: Educação, Fascismo, Verdade, Pós-verdade


sábado, 24 de outubro de 2020

Artigo publicado em periódico

Autores: Mozart Linhares da Silva e Willian Fernandes Araújo.

Título: Biopolítica, racismo estrutural-algorítmico e subjetividade.

Educação Unisinos, 24, (2020), ISSN 2177-6210 Unisinos - doi: 10.4013/edu.2020.241.40.

Resumo: O artigo tem por objetivo problematizar, na perspectiva da biopolítica, o racismo algorítmico, como dimensão sociotécnica na qual se manifesta determinado ethos sociocultural implicado no racismo estrutural. Ao longo do texto, são analisados casos relacionados a técnicas algorítmicas, nas quais é possível observar a constituição de uma representação inferiorizada de sujeitos negros. Com o propósito de aprofundar a análise, também são realizadas pesquisas exploratórias com termos/descritores específicos. Os resultados apontam para o desenvolvimento de uma compreensão que posiciona a lógica algorítmica, que rege dispositivos computacionais de subjetivação, como um sistema que potencializa e dá materialidade à subjetividade emergente das dinâmicas do racismo estrutural-algorítmico. 

Palavras-chave: Biopolítica; racismo estrutural-algorítmico; subjetividade.

Acesso: http://revistas.unisinos.br/index.php/educacao/article/view/edu.2020.241.40/60748039

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Artigo em periódico

Artigo: A produção de uma estrutura dual na educação nacional e a relação cultural do brasileiro com o trabalho

Autoria: Josí Aparecida de Freitas

Revista Educação e Emancipação (UFMA) - v. 13, n. 2, maio/ago. 2020. Pág. 71 -89

DOI: http://dx.doi.org/10.18764/2358-4319.v13n2p71-89

ISSN 2358-4319

RESUMO

Este texto problematiza as relações culturais que se produziram historicamente entre o brasileiro e o trabalho, de tal forma que, no Brasil, produziu-se uma estrutura dual para a educação nacional em que o ensino profissionalizante é direcionado às camadas mais pobres da população, enquanto o ensino regular é reservado às classes mais abastadas. Busca-se inspiração na genealogia foucaultiana, enquanto recurso teórico-metodológico, entendendo-a, segundo Michel Foucault, como um acoplamento dos conhecimentos eruditos e das memórias locais, que permite a constituição de um saber histórico das lutas e a utilização desse saber nas táticas atuais. O exercício genealógico se dará pela análise da obra clássica Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, de 1936 - a partir da qual se pretende problematizar a tradição escravista que marcou profundamente o significado e a valorização do trabalho no país, sobretudo manual, constituindo-se como uma ética do desvalor do trabalho. Com base nessa relação discriminatória discute-se a produção de uma educação, no Brasil, que separou o ensino profissional – assistencialista e utilitarista - do ensino regular – propedêutico - e se interroga esta produtividade no presente. 

Palavras-chave: Educação profissional. Dualismo. Trabalho.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Artigo em periódico

Título: Miscigenação e Biopolítica no Brasil.

Autor: Mozart Linhares da Silva

Revista Brasileira de História & Ciências Sociais, Vol. 4 Nº 8, Dezembro de 2012

© 2012 by RBHCS.

Acesse o periódico: https://periodicos.furg.br/rbhcs/article/view/10480


Resumo

O artigo analisa, a partir do uso de algumas ferramentas foucaultianas, como os conceitos de governamentalidade e biopolítica, as significações e ressignificações da miscigenação na história brasileira. Toma como campo de análise três contextos em que a miscigenação foi alvo de profícuas discussões, nomeadamente no que se refere às problemáticas relacionadas à “identidade nacional”: as primeiras décadas do século XX, período de efervescência da eugenia, o período varguista, sobretudo o Estado Novo, quando a democracia racial fez da miscigenação uma estratégia identitária, e o contexto dos movimentos antirracistas diferencialistas, a partir dos anos 1980, quando o Movimento Negro ressignificou a ideia de raça e com ela a de miscigenação. A análise desses contextos permite entender como foram construídos diferentes “regimes de verdade” sobre a população e sobre a “identidade” nacional, e como essas “verdades” orientaram o governamento do corpo espécie da população em três momentos da história brasileira.

Palavras-chave: Biopolítica. Miscigenação. Eugenia. Movimentos antirracismo. História do Brasil.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Artigo em Periódico

Título: Zumbi e a construção da identidade negra: uma análise sobre a história em quadrinhos “zumbi: A saga de Palmares”. 

Autor: Vinícius Finger.

História e Cultura (Dossiê: Urbanidades), Franca, v. 1, p. 148-167, 2012.

Link de acesso: https://ojs.franca.unesp.br/index.php/historiaecultura/article/view/614

Resumo: O objetivo deste artigo é realizar uma análise do personagem de Zumbi encontrado no álbum em quadrinhos “Zumbi - A Saga de Palmares” e sua relação com os princípios, ideologias e políticas que embasaram os movimentos antirracistas ao longo do século XX. Analisa também os modos de construção da figura de Zumbi, através das narrativas propostas pelo Movimento Negro Unificado. Apresentando uma síntese dos movimentos antirracismo mais representativos no Brasil durante o século XX. 

Palavras-chaves: Quilombo dos Palmares; Zumbi dos Palmares; Identidade; História; Quadrinhos. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Artigo em periódico

 

Título: O Ensino como mecanismo de invenção do saber: uma análise das narrativas sobre o Quilombo dos Palmares.

Autor: Vinícius Finger.

Revista GeoUECE, Fortaleza, v. 3, p. 160-183, 2014.

Link de acesso: http://seer.uece.br/?journal=geouece&page=article&op=view&path%5B%5D=1059

RESUMO: O presente artigo tem como seu objetivo principal apresentar os resultados finais de nossa pesquisa desenvolvida como parte da obtenção do título de Mestre em Educação. Nele serão desenvolvidos os principais aspectos metodológicos e os resultados analíticos construídos através de nossa dissertação. Assim como se pretende destacar o aspecto experimental de nossa pesquisa, que propôs uma metodologia de composição narrativa única, usando de técnicas artísticas originárias das histórias em quadrinhos para desenvolver sua análise discursiva sobre as diferentes versões narrativas de Zumbi dos Palmares e do seu centenário quilombo.

Palavras-Chave: Zumbi dos Palmares; Quilombo dos Palmares; Quadrinhos; Educação; História do Brasil.como criar loja

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Artigo em periódico

Título: Biopolítica, educação e eugenia no Brasil (1911-1945)

Autor: Mozart Linhares da Silva

Revista Ibero-americana de estudos em educação. n. 4, 2013. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/5070


Resumo: 
O artigo tem por objetivo analisar as relações entre educação e biopolítica no Brasil entre os anos de 1911 e 1945, datas consideradas em suas singularidades em função de dois episódios marcantes: a conferência proferida por Batista de Lacerda sobre a positivação da mestiçagem no Congresso Universal das Raças, em Londres, e o fim do Estado Novo. Para problematizar as relações entre eugenia e educação no Brasil lançamos mão de algumas ferramentas foucaltianas, como é o caso de conceitos como biopolítica, governamento, governamentalidade, regimes de verdade e poder-saber. As relações entre eugenia, educação e a política de Estado são consideradas como exemplos de governamentalidade biopolítica, quando o homem brasileiro, o “povo”, passou a ser pensado na sua condição de corpo-espécie da população. As questões relacionadas à raça da população assumiram papel importante no discurso político educacional, pois dentre os aspectos mais importantes do movimento eugênico no Brasil, estava a formação de uma consciência eugênica, que deveria ser “incutida” desde a infância. Um movimento intelectual de significativa importância assumiu o discurso eugênico como estratégia biopolítica de melhoria da “raça”, e, fora nos anos 1930 que esse movimento alcançou êxito institucional. 



Palavras-chave: Educação, biopolítica, eugenia, história do Brasil

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Artigo em periódico

Título: O Quilombo como lugar da multiplicidade: interpretação e narrativas historiográficas.

Autor: Vinícius Finger.

Historiografia: temas, desafios e perspectivas, São Leopoldo, v. 13, p. 249-261, 2017.

Link de acesso: http://www.projeto.unisinos.br/emm/2017/anais-IICI-EHILA-2017.pdf

Resumo: Nesse Texto é desenvolvida uma problematização sobre os modos de análise na história e na antropologia sobre os movimentos quilombolas. Busca-se analisar os limites da análise culturalista sobre os quilombos, sobre as suas práticas identitárias e de compreensão do quilombo como um fenômeno complexo ao mesmo tempo que discursivo. Para isso se aponta possibilidades de análise discursivas sobre as práticas quilombolas e a historiografia sobre quilombos.

Palavras-chaves: Quilombos; Discurso; Narrativa; História cultural.

sábado, 15 de agosto de 2020

Artigo em periódico

 

Título: História, discurso e revisionismo: Palmares e Zumbi na narrativa da nova direita.

Autor: Vinícius Finger.

Pesquisa & educação a distância, São Gonçalo, v. 1, p. 07-25, 2020.

Link de acesso: http://revista.universo.edu.br/index.php?journal=2013EAD1&page=article&op=view&path%5B%5D=8462

RESUMO: Podemos considerar o movimento político e cultural que resultou na eleição de Jair Bolsonaro para presidente do Brasil, como a reconfiguração dos movimentos conservadores no país. Este artigo propõe um exercício de análise discursivo sobre as práticas revisionistas propostas pela Fundação Cultural Palmares, sob direção desta “nova direita”, a partir do texto de Mayalu Félix: “Zumbi foi um herói? - A narrativa mítica de Zumbi dos Palmares”. Para isso se utilizou de conceitos sobre o discurso, enunciados e poder-saber desenvolvidos pelo filósofo Michel Foucault.

Palavras-chaves: Nova Direita; Zumbi; Palmares; Historiografia; Discursos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Artigo em Periódico

Título: O Espectro Eugenista no Discurso Biodeterminista Contemporâneo 

Autores: Betina Hillesheim e Mozart Linhares da Silva

Revista Psicologia, Ciência e Profissão, vol.38 no.3 Brasília July/Sept. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1982-37030005432017

Link de acesso: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932018000300413

 Resumo: O artigo discute as associações que têm sido realizadas no âmbito de pesquisas da área médica e psicológica entre violência, fisiologia e anatomia. Tais associações se fundamentam em uma visão biologizante do mundo e se legitima pelo discurso científico. Com o objetivo de problematizar os aspectos epistemológicos e éticos, o texto aborda as articulações entre ciência e determinismo, bem como a emergência da eugenia no século XIX e seus deslocamentos até a contemporaneidade. Nessa perspectiva, problematizamos que, atualmente, há uma centralidade da produção discursiva relativa ao cérebro, a qual implica também em um modo de condução de condutas. A partir disso, evidenciamos que, no século XXI, encontramo-nos em um regime específico de biossegurança e biopolítica, em que a biologia deixa de ser compreendida como um destino e passa a ser vista como oportunidade. Tal modificação nas formas de entendimento implica numa série de novas lutas políticas em torno de uma economia da vida e, nesse cenário, tais pesquisas, com a justificativa de prevenção ao crime, configuram-se como estratégias de vigilância e controle sobre os corpos, especialmente daqueles sujeitos pertencentes a grupos minoritários.

Palavras-chave: biopolítica, eugenia, discurso.


quinta-feira, 30 de julho de 2020

Artigo em Periódicos

Título: Biopolítica, raça e nação no Brasil (1870-1945)
Autor: Mozart Linhares da Silva
Cadernos IHU Ideias, n. 235, vlo. 13, 2015. Issn: 1679-0316.
Disponível em:http://www.ihu.unisinos.br/images/stories/cadernos/ideias/235cadernosihuideias.pdf

Resumo: A partir do conceito de biopolítica, oriundo dos estudos foucaultianos, o artigo problematiza as relações entre raça/cor e narrativas identitárias nacionais entre 1870 e 1945, período em que a população aparece como objeto de intervenção do movimento eugenista e o Estado brasileiro firma as bases da chamada ideologia da democracia racial. A problematização proposta conduz a um segundo “nível” de análise, atinente à instituição da miscigenação como dispositivo de segurança, o que permitiu o equacionamento dos ditames eugenistas, evidentes na política de branqueamento nacional, com a construção da ideia de uma nação não-racista.   

Palavras-chave: biopolítica, dispositivo de segurança, Estado-nação, população, História

Artigo em Periódico

Título: Democracia racial e dispositivos de segurança no Brasil: contribuições para uma educação antirracista

Autor: Mozart Linhares da Silva

Revista educação e cultura contemporâneaLisboa, Vol. 15, NO 38 (2018).

Link acesso ao artigo: http://periodicos.estacio.br/index.php/reeduc/article/viewArticle/2533

Resumo: Uma das grandes proposições da Lei 10.639/03 que obriga o ensino da História e cultura afro-brasileira no currículo da educação brasileira é o enfrentamento do racismo. Para tanto é preciso entender as “especificidades” da construção histórica do racismo no Brasil, o que possibilita articular de forma mais efetiva as relações entre a educação e os processos de subjetivação que constituem sujeitos capazes deste enfrentamento. A partir desta premissa, analiso, neste artigo, o “mito” da democracia racial na perspectiva foucaultiana dos dispositivos de segurança, problematizando as narrativas identitárias que instituíram o não-racismo no Brasil como corolário de uma sociedade não-conflituada. Problematizo a democracia racial considerando esta na confluência da articulação entre eugenia, política de branqueamento e mestiçagem, cujo desdobramento é a constituição do corpo-espécie da população brasileira, a partir dos anos 1930, como processo de inclusão-exclusiva da população negra num dispositivo que a inclui, pela lógica da mestiçagem, numa narrativa identitária que simultaneamente a exclui do devir nacional. Aponto para a negação do racismo e o proselitismo da mestiçagem como elementos que fazem com que a democracia racial funcione como um dispositivo de segurança, cujos desdobramentos são evidenciados no processo de “pardificação” da população, demonstrada nos censos entre os anos 1940 e 2010, o que aponta para os processos de subjetivação acionados pelas narrativas identitárias que fazem da mestiçagem uma lógica social. Por fim, chamo a atenção para a fratura do “mito” na contemporaneidade, na qual novos arranjos biopolíticos precisam ser considerados para o entendimento das relações raciais no Brasil.

Palavras-chave: Dispositivos de Segurança; Democracia Racial; Narrativas Identitárias; Educação.


quarta-feira, 29 de julho de 2020

Artigo em Periódico

Título: A cor da mestiçagem: o pardo como entrelugar e a produção de subjetividades no Brasil contemporâneo

Autores: Viviane Inês Weschenfelder e Mozart Linhares da Silva
Análise Social no. 227 Lisboa jun. 2018

http://dx.doi.org/10.31447/AS00032573.2018227.03
Resumo: O texto problematiza as posições ocupadas pela cor/raça parda na dinâmica étnico-racial brasileira e as relaciona com os processos de subjetivação do sujeito negro no Brasil. A partir das análises da produção historiográfica dos séculos XIX e XX e das narrativas de mulheres negras publicadas no blog Blogueiras Negras, evidencia-se um deslocamento nos usos do termo pardo e uma mudança de ênfase do dispositivo da mestiçagem para o dispositivo da negritude. Operando com alguns conceitos-ferramenta de Michel Foucault, os resultados mostram que essas mudanças interferem na produção de subjetividades negras e são importantes para pensar a educação contemporânea. 

Palavras-chave: Pardo. Sujeito negro. Biopolítica. Processos de subjetivação.

Artigo em Periódico

Título: 1º Congresso Afro-Brasileiro (1934), biopolítica e democracia racial: implicações na educação contemporânea.

Autores: Mozart Linhares da Silva e Mateus Silva Skolaude.
Revista Brasileira de História e Ciências Sociais, v12, n. 23, 2020.
DOI: https://doi.org/10.14295/rbhcs.v12i23.10840


Resumo: O que propomos nesse artigo é problematizar, na perspectiva da biopolítica, a construção da democracia racial enquanto um dispositivo de segurança que nega o conflito racial e representa um entrave estrutural para a implementação da Lei 10.639/2003 que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura afro-brasileira na educação básica. Para isso, tomamos como corpus analítico o 1º Congresso Afro-Brasileiro, organizado em 1934, no Recife. A organização do congresso, sua programação, a representatividade social, política e científica de seus participantes nos permite considerá-lo uma referência singular no processo de construção identitária nacional. É no 1º CAB, ainda que consideramos estarem postas as linhas mestras ou os enunciados do discurso que norteará o mito ou ideologia da democracia racial nos anos de 1930 em diante. Entendemos que as dificuldades para a implementação da Lei 10.639/2003 revelam o funcionamento do dispositivo de segurança que interdita o enfrentamento do racismo no ambiente escolar, anulando a conflitualidade e o debate sobre o racismo.
Palavras-chave: Lei 10.639/2003, dispositivo de segurança, educação, narrativa identitária.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Artigo em Periódico


Artigo: Biopolítica e medicalização: articulações entre o saber médico e o saber pedagógico

Autor: Camila Francisca da Rosa, Carlos Augusto Ferreira Kopp
Cadernos de Educação, n. 60, p. 98-113, jul/dez 2018
ISSN: 2178-079X
DOI: HTTP://DX.DOI.ORG/10.15210/CADUC.V0I60.12371

Resumo: A educação é entendida como espaço privilegiado de regulação e captura de sujeitos dada a sua abrangência em atingir a globalidade, ou seja, uma importante estratégia para o governamento biopolítico – o governo sobre a vida do corpo-espécie da população. O artigo objetiva analisar a relação entre os saberes pedagógico e médico na constituição do sujeito-aluno, visto que cada vez mais a medicalização dos jovens sobre a égide discursiva do melhoramento da aprendizagem tem gerado efeitos constituidores dentro do espaço escolar, na prática docente e na constituição dos sujeitos inseridos nesse espaço. Como corpus discursivo deste trabalho, foram analisados o programa Saúde na Escola e reportagens da Revista Nova Escola, para entendermos a produção de sujeitos constituídos na relação entre saber médico e saber pedagógico.

Palavras-chave: biopolítica; medicalização; neoliberalismo.

Artigo em Periódico


Artigo: O ensino da História e a da Cultura Afro-brasileira e o discurso de in/exclusivo da diversidade

Autoria: Camila Francisca da Rosa, Mozart Linhares da Silva
Revista Ágora, v. 18, n. 2, p. 31- 43, 2016
ISSN on-line: 1982-6737

Resumo: O presente artigo objetiva analisar as legislações que orientam o ensino da História e da Cultura Afro-brasileira no Brasil a partir de um discurso que se restringe à perspectiva da diversidade e anula as problematizações em torno do conceito de diferença. Através das teorizações foucaultianas especialmente a governamentalidade biopolítica, problematizamos as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana no qual o enunciado da diversidade está imbricado numa lógica de in/exclusão étnico-racial que regula e potencializa um currículo que produz sujeitos subjetivados a uma política multiculturalista de tolerância às identidades e à alteridade.

Palavras-chave: Diversidade, Educação, Biopolítica